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Qui, 08/12/11

Pattinson & Stewart

Acabámos de chegar, mas por pouco tempo

Dentro de poucos dias chega aos cinemas o primeiro capítulo do final da saga Twilight. Onde ele e ela, quase desconhecidos, começaram a recitar a história do vampiro seduzido pela estudante. Entretanto, aconteceram algumas coisas: habituaram-se à fama e apaixonaram-se de verdade. E também estão um pouco cansados

Kristen Stewart

O preço a pagar para ser Bella

No cinema: tem que se casar com um vampiro, dar à luz uma criatura sobrenatural e, a cada beijo, arrisca ser mordida no pescoço. Na vida: não pode dar uma passeio ou fazer uma viagem sozinha e, se diz uma parvoíce, todos pensam que é estúpida. Eis porque é chegado o momento de dizer adeus a Twilight.Ela olha-me com aquele ar sério, inclinando apenas a cabeça de lado, e volta a repetir aquilo que já disse várias vezes: “A minha idade é irrelevante. Aquilo que somos não depende de há quanto tempo chegámos à Terra”. Não deixa de impressionar que, com apenas 21 anos, a vida de Kristen Stewart esteja indubitavelmente ligada à personagem de Bella. E impressiona pensar na coincidência do amor na ficção e na vida real: a paixão entre ela e Pattinson, que nasceu no estúdio, aparentemente – embora os dois nunca o tenham confirmado oficialmente – resiste ilesa a Twilight. Ou talvez, mesmo, se alimente, com a diferença que os beijos no cinema são potencialmente letais para Bella: um vampiro não pode mudar a sua natureza e sonha sempre em enterrar os dentes no cândido pescoço da sua namorada.

Gostou sempre de vampiros?

Sim, porque são perigosos. E nós, as raparigas, gostamos sempre de correr riscos.

Fica triste por saber que tudo está acabar?

É estranho pensar que não vamos gravar um novo filme. Mas tanto eu como Robert pensamos que tinha que acabar. O último livro está dividido em dois filmes, mais do que isso não podíamos fazer. Basicamente: é triste, mas não é triste. Temos de apreciar o que foi, sem lamentar. Era assim que eu estava no último dia de filmagens: passou a correr, estávamos todos cansados e mal podíamos esperar para regressar a casa, a dizer: “Amanhã é outro dia”.

Em “Amanhecer – Parte 1 e 2”, Bella passa por váris provas. A começar com o nascimento da sua criatura, metade vampiro, metade humana.

Sem contar com o casamento com Edward e o crescimento sobrenatural  da criatura. Num só filme acontece coisas que as pessoas comuns não experimentam sequer numa vida inteira. Lembro-me de ter pensado muitas vezes: “Wow, isto é muito”.

Porque é que Bella é tão obcecada por Edward, que é definitivamente negativo para ela?

Na verdade, ela está só a ser forte e corajosa: ela escolhe submeter-se em nome de algo que, realmente, tem um significado para ela. Ela podia ter fugido mas decide ficar e enfrentá-lo,apesar de ser mais forte do que ela, aparentemente. Ela entende perfeitamente que tem de lutar por algo que já não tem mais a ver com Edward. O que se passa já não os envolve apenas a eles e, de facto, pela primeira vez, os dois estão totalmente em conflito.

E a Kristen, também odiou Edward?
Experimentei sensações muito negativas e, às vezes, cheguei a desejar que ele estivesse longe de mim. Os temas do domínio de um lado, e do masoquismo, de outro, sairam de um forma muito clara. No entanto, sempre gostei muito da Bella, mesmo quando se transforma em algo muito semelhante a um animal selvagem: é protetora.

Porque é uma mãe, imagino.

E porque as suas sensações são mais intensas do que qualquer outra coisa que ela já tinha vivido antes. Penso que a Bella é a parte mais forte do casal. Edward teria mandado tudo ao ar várias vezes, embora na teoria ambos desejarmos a mesma coisa.

Basicamente, ela preocupa-se mais com ele?

Essa não é a questão. Mas, ao contrário de Edward, ela tem noção do que está para vir.

É mais optimista e positiva.

Ele não tem esperança. Ela, ao contrário, como penso que acontece a muitas mães, tem uma espécie de intuição divina, sobrenatural. Simplesmente sabe que, no final, as coisas vão correr bem e é por isso que assume o peso do que vai acontecer. Alguém sugeriu que a Bella não é um bom exemplo para as jovens, mas eu não concordo: se olhar de um modo superficial, de fugida, pode fazer-se uma interpretação desse género. Mas, se tiverem lido o livro, não terás essa ideia.

O nascimento da criatura traz algumas discussões: muitos consideram-na uma escolha anti-aborto. Falaram sobre isso no estúdio?

Claro, era inevitável. A nossa esperança é que o público não se fixe numa leitura ideológica. A própria Bella não tem ideias bem definidas sobre isso. Ela não é uma pessoa religiosa: simplesmente luta por algo belo e inevitável, quase um sinal do destino.

A cena do parto, em si, é agressiva. Não será duro, sobretudo para os fãs mais jovens, verem a sua heroína passar por algo tão cru?

É suposto a cena ter esse impacto, assustador. Bella fica às portas da morte e está, de facto, pronta a tudo. Uma passagem forte mas necessária.

E as cenas de sexo? No filme são explícitas, no livro são apenas mencionadas.

É a primeira vez de Twilight. Enquanto estávamos a filmar reflecti sobre o que estávamos a fazer. Depois, vi o filme e parece-me intenso mas não perturbador. Sobretudo, diz qualquer coisa de importante sobre a força e a paixão do vínculo entre Bella e Edward.

No filme vai ter um filho e casa-se. E na vida real?

Não é assim tão incrível que uma rapariga da minha idade tenha um filho: uma das minhas melhores amigas acaba de ser mamã. Eu não sonho em ter um bebé em breve, mas não tive qualquer problema em relacionar-me com a ideia de maternidade.

Não tem medo de ficar presa ao seu papel em Twilight?

Hoje tenho a sensação de que nunca irei deixar de responder a perguntas sobre o filme. Sou muito ligada à Bella: em geral fascina-me a ideia de seguir a evolução de uma personagem, como fiz com ela. Perdê-la logo agora que tenho a sensação de a conhecer tão bem deprime-me um pouco. E tenho a certeza que os fãs sentem a mesma coisa: não serão capazes de me separar completamente da personagem. Mas compreendo que, profissionalmente, tenho que me afastar disto, e rapidamente.

Quanto é que custou, em termos de renúncias pessoais, interpretar Bella?

Hoje é-me muito difícil fazer aquilo que quero mesmo fazer. É estranho: por um lado, estou extremamente orgulhosa do meu trabalho, por outro lado, é esse mesmo trabalho que me impede de realizar os meus desejos, tais como um passeio ou uma viagem com uma amiga. A pressão dos fãs, muitas vezes, deixa-me ficar mal, também porque sou um livro aberto e quando me perguntam: “Hey, Kristen, querida, o que se passa?”. Nessa altura, de repente, só me apetece começar a chorar.

O preço da fama, no seu caso, é muito alto.

Há um outro aspecto que para mim é difícil: com as pessoas que conheces desde sempre, habituas-te a mostrar-te como és, sem filtros ou fingimentos. Mas se falo em público e digo alguma coisa estúpida, as pessoas tendem a acreditar que és estúpida.

Deve ser difícil.

Ainda mais difícil é o facto de qualquer um me olhar na cara e pensar que sabe tudo acerca de mim. Motivo pelo qual sinto muitas vezes a exigência física de estar sozinha.

Por favor, diga-me, ao menos um lado divertido.

Faz-me sorrir o facto de que, ao início, ninguém teria apostado em mim: mesmo a Jodie Foster, com quem trabalhei em “Sala de Pânico”, disse que não estava à espera.

Vocês mantêm-se em contacto?

De vez em quando encontramo-nos. Ela é sempre protectora e maternal comigo, e diz-me sempre: “Mantém-te em contacto, há tanta coisa que gostava de te poder ensinar”. É uma oportunidade que não quero deixar escapar, mesmo que nesta altura esteja cheia de trabalho, porque ela é uma pessoa e uma profissional extraordinária. Aprendi muito com ela, por exemplo, sobre ética profissional dos actores e sobre o modo como se devem tratar as outras pessoas quando nos tornamos famosos.

Que é?

Com enorme respeito.

Como vê o seu futuro, Kristen?

Sonho poder interpretar sempre papéis extraordinários, permanecendo numa zona mágica, onde a vida corre com fluidez, todos me querem bem e são tolerantes comigo.
Robert Pattinson

Não me façam sentir um animal do Jardim Zoológico

Sim, é um pouco chato: “Nos últimos anos só fiz o vampiro, e há muitas coisas que um vampiro não pode fazer”. Sim, é um pouco estranho: “Sempre que estou no meio da multidão, penso: não sou eu, aqui está o meu corpo, mas a minha mente está noutro lugar”. Mas, depois de ter lido um guião de Cronenberg decidiu: “Não vou ser um perdedor”Não acredito que tenha sido talhado para isto. Seguramente, não para ser uma estrela, talvez nem mesmo para ser actor. Há quem deseje o sucesso desde muito novo e faça tudo para se tornar famoso. Se puderem, quando entram numa sala cheia de gente, chamam a atenção de todos. E aquele momento de satisfação justifica a fadiga e os compromissos feitos para ali chegar. Eu não, vejo-me nesta situação por acaso. Se entrar numa sala e todos começarem a olhar para mim, sinto-me desconfortável. Por vezes sinto-me como um animal do Jardim Zoológico. E não é agradável”.Talvez Robert Pattinson devesse ter pensado antes de ter aceite o papel de Edward, o vampiro da saga Twilight, que lhe trouxe riqueza e fama, além de o ter tornado no ídolo das adolescentes de todo o Mundo. Agora, os passos iniciais, obrigam-no a dançar. Mas a sua modéstia não parece ser falsa. Parece ser tudo menos uma estrela, com o seu sorriso e espontaneidade. E pela forma como se apresenta na entrevista exclusiva com a Gioia: o cabelo meio rapado, uma T-shirt que já conheceu melhores dias e um par de calças que descrever como usadas é um eufemismo. Quem quer mentir veste-se melhor, penso quando o vejo.

Não liga à etiqueta agora que é famoso ou sempre foi assim?

Com fato e gravata sinto-me estúpido e, a menos que seja pedido, em geral, visto-me de forma casual. Gosto da ideia de ser visto como realmente sou. E depois, sempre olhei com desconfiança para as pessoas demasiado elegantes.

Belo corte de cabelo.

Fi-lo para um novo filme, “Cosmopolis”. Agora já terminei, mas mantive o corte. Agrada-me, acho-o interessante: metade de uma maneira, metade de outra.

Twilight acabou. Sente vontade de mudar de vida?

Ainda não sei. Não fiz apenas o vampiro durante estes anos, pelo que não tenho a sensação que a minha vida profissional tenha terminado. Na verdade, fico sempre surpreendido com a atenção que se gere em torno dos filmes desta saga e dos efeitos que têm junto do público.

Não se cansou de estar sempre a desempenhar o mesmo papel?

Digamos que não foi fácil porque não faz parte da natureza dos vampiros serem particularmente expressivos. Há tantas coisas que ele não pode fazer: à parte do seu amor – quase uma obsessão – por Bella, não pode ter impulsos, estímulos, sentimentos. Há o risco de fazer sempre as mesmas coisas e, muitas vezes, durante uma cena fiquei com a sensação de me ter enganado e de ter repetido a cena anterior. Mas tentámos sempre privilegiar a originalidade, mesmo que indo contra a história.

Se não fosse o protagonista da saga, teria sido um fã dela?

Provavelmente esta resposta vai deixar-me em apuros. A verdade é que não sei. Sempre fui contra as sagas comerciais. Acredito que ia gostar dos filmes em si, mas não percebo porque é que as pessoas ficam loucas. E depois, sempre preferi os filmes mais pequenos e baratos às grandes series.

Ao início, havia muito cepticismo em relação a si: os fãs dos livros não gostavam de si. Mas agora…

Não lhes interessa quem eu sou, o que faço ou como actuo. Interessa-lhes a minha cara. Se a minha cara corresponde mais ou menos àquilo que imaginaram enquanto estavam a ler o livro, está tudo bem. Depois, feito o primeiro filme, a tua cara transforma-se na personagem do romance e o problema fica resolvido. Se pensarmos nisso, é um pouco triste.
Uma noite destas, na televisão, passou um dos filmes de Twilight e, depois, “Lembra-te de Mim”, outro filme seu. Fiquei com a impressão que a segunda personagem - um pouco desfeita, com a barba por fazer, cigarros e um copo na mão – lhe era mais próxima. Estou enganada?

Não. Quando li o guião identifiquei-me imediatamente com aquela personagem. Por norma, os filmes com um protagonista jovem são todos iguais: há um rapaz que não sabe nada da vida e que, no decorrer do filme, aprende tudo. Em “Lembra-te de Mim” notava-se que havia qualquer coisa de diferente. Parti com a ideia de me interpretar a mim mesmo porque achava o seu estilo de vida e o seu modo de ser muito similar ao meu. Mas depois mudei de orientação: interpretar-se a si mesmo é impossível.
Não para John Malkovich.
Eu acho que sim. Podemos interpretar a pessoa que criámos e que é percebida pelas pessoas mas não podemos ser completamente nós no ecrã.

O que é entende pela pessoa que “é percebida” pelas pessoas?  
No meu caso Edward, o vampiro. As pessoas não falam comigo, não gritam comigo, não arrancam os cabelos por mim: fazem-no por Edward. Vêm vê-lo a ele e agora devo afastar-me daquele nome. Fujo, meto-me num carro e sou uma outra pessoa. Eles olham para ti, mas vêem apenas aquilo que querem ver.

Imaginava que iria ter todo este sucesso?

Não, é uma coisa louca e inesperada. Lembro-me de um dia no Mónaco, no Estádio Olímpico, estar em frente a 30 mil pessoas que estavam ali para uma conferência de imprensa de dez minutos. Foi a coisa mais ridícula que alguma vez tinha visto. Se começares a pensar que as pessoas estão ali por tua causa e te começares a convencer que és fabuloso, dás em maluco, de certeza.

Não se sente fabuloso?

Não, de todo.

Nem ao menos um pouco?

Não. Se te começares a sentir assim, então, todas as manhãs, quando te vires ao espelho, deves dizer a ti mesmo que és a melhor pessoa do mundo. Pelo contrário, penso muitas vezes que tenho uma personalidade oposta em relação àquela que devia ter para aguentar facilmente o peso da fama.

Então porque é que decidiu entrar neste negócio?

Quando comecei quase ninguém via os meus filmes. E quem via não estava interessado em mim mas no meu trabalho, na minha interpretação. Eu actuava sem pensar na carreira ou no efeito que iria ter junto do público. Hoje muita gente pensa que me conhece apesar de nunca me ter visto. Na sua cabeça, sabem o que esperar com base naquilo que acreditam que sabem de mim.

Então, qual é a sua estratégia de sobrevivência?

A melhor coisa que um actor pode fazer é viver na mais absoluta discrição. O que é impossível, considerando que tenho de ser entrevistado por pessoas como você para promover o filme. E depois, alguns jornais, se não encontrarem nada, inventam.

Não parece particularmente fácil.

Sempre que estou no meio da multidão, abstraio-me e penso: não sou eu. Estou só aqui com o meu corpo, a minha mente está noutro lugar. E tento sempre lembrar-me que se trata de um trabalho, não é a minha vida, ainda que manter o controlo não seja fácil.
A propósito de trabalho, foi procurado por David Cronenberg para o seu último filme.

Exactamente quando estava a pensar que nunca mais iria trabalhar um bom realizador. Muitas vezes a fama não ajuda a conseguir papéis em filmes de qualidade. Mas é verdade: Cronenberg procurou-me. Disse-lhe que demoraria uma semana a decidir. Estava à procura de uma forma de lhe dizer que não era adequado, que não tinha percebido o guião e que não iria aceitar o papel. A única maneira seria telefonar-lhe e dizer que não aceito porque sou um perdedor. Depois pensei que não queria ser um perdedor e disse que sim.

É verdade que adoptou um cachorro durante as filmagens?

Sim, encontrei-o junto ao estúdio e fiquei com ele.

Um gesto definitivamente carinhoso para um vampiro.

É verdade. Talvez eu estivesse à procura de um amigo que não pudesse falar.
Twilight passo a passo

Crepúsculo O primeiro livro da saga criada por Stephenie Meyer foi publicado nos Estados Unidos em 2005 e no ano seguinte em Itália. O filme homónimo estreou em Novembro de 2008: protagonizado por Kristen Stewart, no papel de Isabella Swan, conhecida por Bella, e Robert Pattinson, como o vampiro Edward Cullen

Lua Nova Em 2006 foi publicado o segundo livro, que se transforma em filme no final de 2009. Na história ganha relevo, Jacob (Taylor Lautner), do bando dos lobos, acérrimo inimigo dos vampiros e apaixonado, desde sempre, por Bella. Dakota Fanning estreia-se, no papel de Jane, do grupo dos vampiros

Eclipse O terceiro capítulo da saga chega às livrarias em 2007 e ao cinema três anos depois. Há uma nova aquisição no elenco: a actriz Bryce Dallas Howard, que substitui Rachelle Lefevre, no papel de Victoria, a vampira de cabelos ruivos que tenta, a todo o custo, matar Bella

Amanhecer O quarto livro da saga, lançado em Agosto de 2008 nos Estados Unidos e poucos meses depois em Itália. No total, os romances de Twilight foram traduzidos em quase 40 línguas e venderam mais de 120 milhões de cópias. A 16 de Novembro estreia a adaptação cinematográfica a primeira parte deste último volume.