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Dom, 13/11/11

É o início do fim de Bella Swan, mas para a atriz que a interpreta, é o fim do maior sucesso da sua carreira. Com apenas 21 anos, Kristen Stewart passou os últimos três anos da sua vida sendo uma das pessoas mais famosas à face da terra. A saga Twilight não pode ser evitada – com um filme lançado a cada ano e inumeráveis capas de revistas (para o melhor e o pior) com as estrelas Stewart, Robert Pattinson e Taylor Lautner. Para uma atriz cujo primeiro amor é a arte, e não a fama, tem sido intenso. Mas tal como Kristen disse à Boxoffice, ela está tão fundida com o papel de Bella Swan que inventou páginas de história para Bella que jurava estarem nos livros – até ter verificado que apenas imaginou essas memórias. Portanto conhecendo ela a Bella melhor que ninguém – talvez até melhor que Stephenie Meyer – perguntámos-lhe se ela pensa realmente que a Bella está preparada para um casamento? E depois de tantos anos no set, como foi acordar e saber que nunca mais interpretaria Bella outra vez?

Como foi trabalhar num filme onde as pessoas são tão fascinadas com os pequenos detalhes? Qualquer que seja o penteado que tu e a tua cabeleireira escolham para o casamento, haverão milhares de raparigas a copiá-lo no se próprio casamento ou baile de finalistas.

É engraçado. É algo que tens de esquecer enquanto estás a trabalhar, ou então torna-se pesado, pesa-te na consciência. Tu queres fazer algo que para ti é muito claro. Mas ao mesmo tempo, também torna a coisa mais excitante, do género “Espero que eles gostem!” Também estou ao nível delas: estou tão preocupada quanto elas em relação ao aspecto do meu cabelo. Só que não é normal as outras pessoas preocuparem-se com coisas com as quais tu estás preocupado no filme. Normalmente as pessoas não sabem, ou não se importam. É único, realmente único nesse aspeto. Nunca tive essa experiência noutro projecto.

Saber que as outras pessoas levam o teu papel a sério tanto como tu – é uma confluência excelente entre actor e audiência.

Sim. É mesmo espetacular, e é tão diferente. Eu tive um pouco disso em meia dúzia de filmes, mas este caso é o mais extremo. Ao interpretar pessoas reais, tens uma experiencia parecida. Com  a Joan Jett [no filme “The Runaways”] e depois no On The Road, onde interpreto uma mulher que é simplesmente incrível, LuAnne Henderson [que inspirou o personagem Marylou do livro e do filme]. Isso foi importante a um nível que nada teve a ver comigo. Por isso é uma experiencia similar. Normalmente sou eu que crio estas partes – eu, o realizador e o escritor. Mas isto tem relevância a outro nível no mundo real.

Isso é verdade. Especialmente no “On The Road”, Marylou é baseada numa pessoa real mas ela também existiu nas mentes dos leitores durante seis décadas. E tu sofres a pressão de deixar todas essas pessoas felizes com o teu desempenho do personagem. Houveram momentos durante os filmes da saga em que ter interrogaste sobre o quanto poderias tornar o personagem teu?

Tendo lido os livros e discutido isso com toda a gente envolvida no filme, é engraçado. As pessoas não amam todas as mesmas coisas que tu. E alguma coisas que eu me lembrava sobre o livro nem sequer existiam. Foi estranho. Por exemplo, que algo tinha acontecido com a Bella entre os filmes, e eu tinha a certeza absoluta disso, mas afinal não era verdade. Eu inventei isso. Foi algo que eu imaginei a partir de tudo o que está nos livros. O que é uma experiência estranha, especialmente quando estás a discutir isso com o realizador. Então eu voltava a ler o capítulo 23 e não estava lá nada. Era tão macabro. Mas as coisas são importantes para pessoas diferentes, e tu tens de escolher. É isso que torna o trabalho tão divertido, é isso que torna os filmes nossos. É esquisito. Nesta altura o filme pertence a tanta gente – tem um passado enorme e tivemos tantos realizadores. Devo parecer completamente estranha e lamechas, mas o filme é amado por um grupo gigante e insanamente diverso de pessoas.

Reunimos fotografias de fãs que posaram com a sua peça favorita alusiva ao filme, ou ao pé de telas que eles próprios pintaram – por vezes até paredes inteiras nas suas casas. Eu adoro o seu entusiasmo.

Também eu. Eu sinto sempre intensamente todo o meu trabalho, mas ao aperceber-me de repente que as outras pessoas também, não há mais nada a dizer senão que sabe bem. É bom partilhar isso. A um nível energético, isso vai dar-te força. É mesmo ótimo.

Tu mencionaste todos os realizadores com quem trabalhaste. Isso faz de ti e do Robert Pattinson e do Taylor Lautner a velha guarda – vocês conhecem os personagens e todo este mundo tão bem. O que é que vocês dizem aos realizadores quando eles começam?

Eram todos tão diferentes que houve sempre um sentimento de novidade. Quanto a trabalhar com o Robert e o Taylor e o resto do elenco e todos os que lá estiveram o tempo todo foi como recomeçar onde tínhamos terminado, mas ao mesmo tempo aceitando o facto de termos realizadores diferentes em todos os filmes. Tu segues o realizador. É ele quem dita o tom a 100%. Eu adoro isso. Sentires-te perdido não é nada bom e eu apoio-me muito nos realizadores. É a natureza da profissão – eu não mando, ele é que manda. Todos tinham genuinamente ideias diferentes – nem eram ideias diferentes, simplesmente seguiam caminhos diferentes. As coisas nas quais divergiam sobre o projeto eram muito, muito diferentes. Foi interessante ver isso.

Como é que o Bill Condon se integrou? O que é que o distinguiu?

Ele possuía uma gentileza nada obstrutiva. Ele é incrivelmente querido. É engraçado, estou a descrevê-lo como se fosse um personagem, mas ele aceita coisas simples, e eu sinto o mesmo. De alguma forma, o romance é mais fácil de aceitar neste filme. As coisas começaram a parecer genuínas de novo, começaram a parecer reais outra vez, porque ele acreditava tanto nelas. E isso é incrível considerando o ponto em que este filme está dentro da série. Eu penso que o Billy é mesmo colaborativo e espetacular, e penso que ele realmente conseguiu perceber que agora o Edward e a Bella estão unidos e parecem – pelo menos a mim - estar a tentar tornar-se naquilo que o raio da palavra “adulto” queira dizer. E é bom não os ver à toa sem saberem que raio estão a fazer. Nesta fase eles parecem incrivelmente firmes e inabaláveis, e sinto que isso se deve principalmente ao Bill. Por alguma razão é difícil fazer estes filmes, e eu gosto da forma como este resultou, gosto mesmo.

O que faz todo o sentido uma vez que este é o livro onde tudo se torna real: eles toma decisões permanentes. Achas que a Bella entende o significado da palavra casamento com 18 anos?

O casamento significa coisas muito diferentes para todos. Penso que é apenas outro passo para ela, penso que é um ponto interessante na estória que o casamento não tenha qualquer significado para ela – ela está a fazer isto por ele. Perguntam-me constantemente se acho que ela é um personagem forte ou que se subjuga completamente a este homem, e é apenas uma seguidora. Penso que é preciso alguém ser realmente corajoso – e conhecer-se muito bem – para conseguir abdicar de algo sabendo que vale a pena e que a pessoa com quem se faz isso está ao mesmo nível. Eu não entendo porque é que as pessoas partem desse princípio. Imaginando que eles são ambos raparigas ou rapazes, penso que o Edward seria provavelmente criticado da mesma forma. Inicialmente eles são um pouco perdidos e doidos e estúpidos, mas no final acabam por se dedicar verdadeiramente um ao outro. Ambos abdicam de coisas e perdem coisas. E não percebo porque é que criticam isso. Talvez seja porque tenho o personagem muito presente dentro de mim, e me dediquei a isso muito tempo, mas eu não entendo.

As pessoas vêem o romance de Romeu e Julieta como uma história sobre uma paixão entre dois miúdos estúpidos, mas se eles tivessem vivido mais tempo, talvez tivessem tido oportunidade de se provarem perante todos.

Pois é, isso era totalmente circunstancial. Tu olhas para trás e pensas, “Não! Porque raio é que aquilo tinha de acontecer?” Por sorte, o Edward e a Bella são um pouquinho mais sortudos.

Estou a projetar alguns dos meus medos pessoais nisto, mas a ideia de interpretar uma personagem que está grávida com uma criatura literalmente de outro mundo que a domina de dentro do seu corpo soa a algo muito aterrorizante. Especialmente porque nunca estiveste grávida.

A parte estranha é que eu não estava muito inclinada a interpretar esse aspecto da história, desde o primeiro ensaio. Mas ultimamente, acabou por se tornar uma das coisas que mais gostei de interpretar: esta fera grávida no canto da sala que simplesmente está sempre com uma atitude do género “Fiquem longe de mim!”. Tudo o que importa é o que está dentro dela, e isso e espetacular. Mas demorou um pouco até entrar bem no personagem e conseguir interpretar esse aspecto de uma forma realista. É engraçado, porque o instinto é olhar e pensar “Ugh!”. Mas tu não podes fazer isso. Dói, mas é algo que estás disposto a suportar. E é muito estranho mesmo. Era mesmo uma gravidez alienígena. Foi tão esquisito acertar todos os detalhes logísticos e falar com a Stephenie [Meyer, a autora da saga] sobre coisas realmente estranhas. Sobre barrigas falsas e como conseguir uma – foram tantas conversas sobre detalhes logísticos de bebés vampiros.

Tu que conheces tão bem este personagem, como foi a mudança radical de pensamento depois de ela se ter tornado vampira?

Soube bem. Mas foi muito estranho. Foi um processo tão longo os dois filmes terem swido filmados ao mesmo tempo como se fossem um só. Tu filmas, obviamente, sem ordem cronológica de acontecimentos, e andas constantemente para trás e para a frente entre versões grávidas, humanas e vampiras mortas da Bella. Há tantas versões diferentes da Bella neste filme, é insano. Foi uma experiência estranha entrar no set a primeira vez que estava a interpretar uma cena como vampira porque eu vi todos à minha volta fazerem o mesmo o tempo todo. Isto vai soar muito triste, mas a Bella como vampira é mesmo o meu personagem favorito – ela representa muito bem uma matriarca. É muito intuitiva quase a um nível físico e nunca ninguém reconhece isso, o que é interessante. Talvez isso diga algo sobre Stephenie, que ela não é respeitada por todas as suas qualidades espetaculares. E essa também é uma das razões pelas quais ela é tão apelativa para mim, por isso não é que vejo como uma coisa má – é algo que gosto. E penso que é bom vê-la finalmente ter aquilo que tanto queria. Isso é provavelmente a melhor parte, mesmo que pareça algo simples, e por isso é criticado o tempo todo. É bom ver pessoas serrem felizes. E ela realmente – se é que eu tenha interpretado bem – nasceu para estar onde está.

Conta-me algo sobre a manhã a seguir ao último dia de filmagens quando acordaste sabendo que nunca mais irias voltar àquele set.

Tu literalmente passas por uma série de emoções muito distintas. Eu não me importava, e dez minutos depois já me importava imenso. Penso que é diferente com cada filme, e obviamente é neste que vou sentir mais isso. Com sorte não vou ter de me despedir de ninguém. Isso é diferente. Normalmente sabes que no fim de um projecto de 5 semanas não te podes agarrar a todas as relações que desenvolveste nestes filmes pequenos, e eu fiz isso muitas vezes. Mas o Twilight foi uma experiência única. Não tive de dizer adeus a toda a gente e pensar no quão triste isso é. Tive mais a sensação de que tinha acabado. De que tinha terminado o meu trabalho. E obviamente, foi um longo processo e não posso simplesmente dizer “Oh sim! Estava completamente feliz!” Tenho literalmente sido torturada por algum tempo. Ao fim do dia, eu amo mesmo tudo isto. Mal posso esperar que estes dois filmes estreiem. Sinto mesmo que elevámos isto a outro nível.

Tu começaste a representar aos nove anos e já tinhas uma carreira antes de Twilight. E entre os filmes da saga também procuraste os teus próprios filmes mais audaciosos como The Runaways [como Joan Jett] e Welcome to the Rileys [como uma prostituta adolescente sem abrigo]. Agora ao trabalhares com atrizes crianças como Mackenzie Foy [escolhida para filha vampira de Bella] que tem a mesma idade que tu tinhas na altura, que conselho podes dar sobre construírem a sua própria carreira.

É difícil dizer. Eu fiz o que fiz, e parece muito. Mas ao mesmo tempo, sinto-me tão nova, por isso é estranho para mim dizer coisas ou dar conselhos. Faz-me encolher um pouco. Mas se falar pessoalmente, penso que é bastante importante não fazer nada que não se queira mesmo. As pessoas neste mundo fazem constantemente projetos em que não acreditam, e é aí que obviamente cometem os maiores erros. Mesmo que eu faça um filme mau, eu olho para trás e penso “Bem, aquilo não correu tão bem como eu queria, ou poderia ter sido melhor, mas adorei a experiência e foi algo que valeu a pena”. Basicamente – e isto é muito lamechas – se seguires o teu coração nunca vais arrepender-te de nada, mesmo que faças más escolhas constantemente. Quando ouço alguém dar conselhos sobre representação, é sempre algo realmente muito vago e geral do género “Segue os teus sonhos”, o que é basicamente o que estou a dizer, ou algo muito estranho que não faço ideia o que seja.

Conselho lamechas é lamechas porque é verdade.

Exatamente, na maioria dos casos sim.

Estás a rodar Snow White and the Hunstman neste momento, que imagina a Branca de Neve como uma princesa guereira. Como é o seu estilo de luta?

Não é para trivializar, de todo, mas é difícil interpretar um herói de ação que também é a pessoa com mais compaixão à face da terra. Ela não odeia. Ela simboliza os corações que sangram, por isso como raio se faz um filme de ação assim? Ela é mais ou menos a última réstia da esperança da sua aldeia. Ela tem uma ligação etérea e espiritual com o seu povo – ela sente mesmo as coisas, e por isso é como se não sentíssemos empatia de verdade. Eu tive algumas experiências em que aprendi imenso neste filme. Penso que para alguém que se importa verdadeiramente com uma causa não se imagina apenas na situação e pensa “Oh meu Deus, lamento tanto por eles.” Não pensa mesmo em si próprio, de todo. Assim, a tua forma de lutar é acabar com qualquer coisa que magoe o teu povo. Basicamente, estou a lutar contra o mal – estou a lutar contra os sacanas mais terríveis e não tem mal que eles sejam mortos. É angústia. É literalmente angústia. Ela não tem qualquer prazer em magoar alguém. Neste momento estou exausta e estava a pensar, “As cenas de luta estão a chegar, talvez não seja assim tão mau.” E depois apercebi-me que serão provavelmente as cenas mais emocionais porque estou a matar pessoas, e sou a Branca de Neve. É realmente uma forma muito fixe de abordar um filme onde tanta gente morre, não que eu esteja a criticar filmes violentos – geralmente até os adoro – mas é bom fazê-lo desta forma.

És o tipo de lutadora que podia levar uma bala?

Sim, e também muito impulsiva. Ela não aprendeu a lutar – ela é apenas esperta, e rápida. Se fores mais inteligente que alguém e não tiveres medo e o fizeres pelas razões certas, não importa o teu tamanho: provavelmente vais vencer. Ela é sábia de uma forma estranha. Ela tem de desligar a mente de alguma forma. Ou sentes completamente as coisas, ou desligas e chacinas pessoas. O que é muito mau, mas eles são os maus da fita, por isso não tem mal.

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