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Dom, 23/10/11

O vampiro de Twilight e a divindade de Immortals explica como está a enfraquecer a sua imagem de bonzão, quando finalmente adquiriu o seu “gaydar”, e o porquê das raparigas inseguras pensarem que ele tem um namorado.

As raparigas adolescentes podem uivar por Kellan Lutz como o vampiro Emmett da Saga Twilight – cuja última parte estreia a 18 de Novembro – mas é a sua campanha de roupa interior para a Calvin Klein e os seus frequentes trabalhos fotográficos sem t-shirt que faz bombear o sangue dos homens homossexuais. Também a interpretar o deus Poseidon em “Immortals”, com estreia nos cinemas marcada para 11 de Novembro, o ladrão de corações de 26 anos fala abertamente sobre o facto de ser venerado.

T.A: Não sou um grande Twihard, mas sou teu fã desde “The Comeback” em 2005 da HBO.

K: Adorei isso! Brandon, és o maior. Obrigada.

T.A: O que retiraste dessa experiência?

K: Eu gostei de trabalhar em The Comeback, mas fingi toda essa experiência. Eu era apenas um rapazinho cheio de sorte que decidiu ser actor.Eu ia para a escola em Orange County’s Chapman University para engenharia química, mas conheci uma daquelas mulheres que procura talentos. Resumindo a história, ela disse que eu devia ser actor e abriu-me os olhos para o mundo da representação. Comecei a ter aulas, audições, trabalhos extra e apaixonei-me pela representação. Nem sequer notei na Lisa Kudrow na minha última audição para The Comeback porque eu não via televisão, eu andava a baloiçar pelas paredes com tanta energia. Apenas agradeci a todos por me terem dado uma oportunidade. Abriu-me imensas portas.

T.A: Michael Patrick King, o co-autor da série, ficou com os louros de te ter descoberto. O que aprendeste com ele?

K: Eu aprendi rapidamente que existem muitos tubarões e inseguranças em Hollywood, mas vi que Michael, que é um génio, mantinha a paixão e zelo que teve desde o primeiro dia. É isso que eu procuro na minha carreira. Adoro representar, mas sempre quis vê-lo como apenas um passatempo e não um trabalho.

T.A: És Poseidon em Immortals. Fingir que és um Deus subiu-te a cabeça?

K: Nah. Tenho sido um pálido vampiro nos últimos anos, por isso estou apenas contente por ter um bronzeado num filme. Gosto imenso que o nosso realizador, Tarsem, tenha visto os deuses como jovens. Se fosses um deus, não ias preferir estar nos teus 20 ou 30 em vez de velho e grisalhos com uma barba até aos tornozelos?

T.A: Os teus fãs masculinos vão apreciar esta visão mais sexy.

K: Oh, eles são os melhores. Adoro-os. Quando conheço os meus fãs gays, eles são maravilhosos para conversar – e eu gosto de abraçar, porque sou do Midwest. Eles são tão enérgicos e amorosos. Tenho orgulho de ter fãs assim, e o apoio deles significa muito para mim. Não quero apenas raparigas a ir aos meus filmes, também quero que os rapazes venham.

T.A: No teu anúncio para a Calvin Klein X Underwear, tu olhas para a camara e dizes coisas como, “Podes olhar, mas nada de tocar”, dá a sensação de que estás a falar directa e especificamente para os homens gay.

K: Estou contente que tenhas dito isso. Quando falaram nesse conceito, eu fui totalmente a favor. Todo o anúncio era sobre atrair e captar a atenção de todas as audiências, por isso estou contente que tenhamos conseguido capturar isso.

T.A: Uma vez contaste uma história na “Ellen” sobre um fã masculino ter-se atirado a ti, enquanto estavas nu no jacuzzi. Não especificaste, mas eu assumo que era gay.

K: Sim, provavelmente. Por isso é que me senti tão lisonjeado. Falámos cerca de 15 minutos, e deu-se um “click” de que ele estaria provavelmente a atirar-se a mim. De nenhuma maneira quis levá-lo a fazer isso, por isso foi engraçado aperceber-me de que ele se estava a atirar a mim, e a fazer um belo trabalho.

T.A: Estavas ciente dos admiradores gays quando fizeste a capa para A&F Quaterly aos 18?

K: Não, mas eu era muito ignorante. Ao crescer, nunca conseguia distinguir quem era gay. Mesmo na secundária, tinha amigos que só anos depois descobri que eram homossexuais. Eu descobri no Facebook ou assim e fiquei tipo, “Ah, isso explica muita coisa” ou então, “Wow não fazia ideia”.

Lembro-me de ir a casa de um amigo em L.A. e ele estava a mostrar-me o quarto e eu perguntei, “Onde é que dormes?” Ele do tipo “Aqui, nesta cama”. Como ele tinha um companheiro de quarto perguntei “Onde é que dorme o deu colega de quarto?” Ele disse, “Ele dormi aqui também”. Eu fiquei do tipo “Oh, OK.”.

Eu já tinha dormido na mesma cama que os meus irmãos e na de alguns amigos, por isso nem sequer me passou pela mente que ele era gay.

Passado um bocado ele liga-me e diz, “Kellan, lidaste tão bem com isso. Não contei a muita gente, por isso obrigada por seres tão boa pessoa”. De repente tudo começou tudo a ligar-se e a fazer sentido: Alguns rapazes que pensei serem apenas amigos, não são apenas amigos! Foi nesse dia que o meu “gaydar” (radar gay) finalmente entrou em acção. Ainda somos melhores amigos até hoje. E agora tenho amigos próximos que são gays.

T.A: Eles avisam quando aparecem fotos tuas a trabalhar ou de tronco nu nos blogues gay?

K: Não, mas eles dizem coisas do tipo, “Oh, os teus braços estão com bom aspecto, Kellan” “Oh o teu peito grande” ou então “Ai deus, esses olhos”. Eles fazem-se a mim de uma maneira amigável. De qualquer das maneiras, adoro correr sem parte de cima na praia, e é uma porcaria quando os paparazzi lá estão. É do estilo “F**a-se, visto a t-shirt porque não quero aparecer assim noutra revista?” Não quero ser conhecido como o rapaz sempre sem camisola.

T.A: Preocupa-te que a tua aparência se sobreponha ao teu talento e que por isso não sejas levado a sério?

K: Bem, é claro. Penso que todos os actores devem ter a mente cheia disso. Mas, no final, é um negócio. É bom ter a hipótese de participar em filmes independentes, ou numa comédia onde se possa ter a camisola vestida, mas às vezes o sexo vende. Se eu, ao tirar a camisola, faço com que se tenha audiências, então claro porque não, não me importo de fazer isso. Mas é complicado porque não quero ser apenas um bonzão.

T.A: Então e nas sessões fotográficas em tronco nu? Parece que tens mais controlo nessas.

Sim, tenho de ter consciência disso também. Já fiz muitas sessões para a imprensa graças a Immortals e Breaking Dawn, e todos os fotógrafos querem a sua foto em tronco nu. Tivemos mesmo de ser picuinhas e não fazê-lo para todas as revistas. Tenho mesmo tentado manter mais vezes a roupa vestida.

T.A: Isso não seria um problema se tu ficasses mesmo gordo para um papel.

K: Ei, eu ia adorar isso. Deveria ser engraçado perder ou ganhar peso para um papel que seja tão diferente de mim.

T.A: Há fotografias tuas e do teu colega em Twilight, Peter Facinelli a dar as mãos, o que mostrou algum senso de humor sobre a tua imagem pública.

K: Oh, é divertido. O Peter também é um bom exemplo. Ele é como uma figura paterna para mim, é novo, mas está nesta industria há muito tempo, por isso é óptimo ir pedir-lhe conselhos. O que é que eles me chamaram a mim e ao Peter – Pellan? Pellan para a vida!

T.A: Não te preocupas com rumores gays? 

K: Eu não pesquiso sobre mim no Google, mas já ouvi que as pessoas pensam que sou gay. Já ouvi de tudo.

 Sabes, eu não ando atrás de raparigas, a maioria das namoradas que tive vieram atrás de mim. Por isso é divertido quando algumas raparigas ficam ofendidas porque não me faço a elas. Transformam logo a insegurança delas em “Ah, faz sentido, já ouvi que gostas de rapazes e tens namorado” e eu digo algo como “A sério? É essa a tua táctica para fazer com que goste de ti?”. Vão existir sempre rumores, mas eu sei quem sou.

T.A: Bill Condon trouxe a sua maravilhosa sensibilidade gay para filmes como Dreamgirls, Kinsey e Gods and Monsters. Ao conduzir a saga Twilight nas últimas instâncias, ele trouxe alguma dessa sensibilidade para Breaking Dawn?

K: Definitivamente sim. Quero dizer, há muita mais pele para começar. É para uma audiência mais madura. A nossa audiência tem vindo a crescer connosco, e nós temos de crescer juntamente com eles. Os originais fãs da secundária, estão agora em universidades, por isso querem ver mais corpo. O Bill tem o Taylor em tronco nu o tempo inteiro, para haver mais por onde adoçar a vista. Ele fez um trabalho fantástico, e foi muito divertido trabalhar com ele.

T.A: Mas ele teria morrido por meter lá no meio um vampiro ou lobisomem gay?

K: Tivemos tantas pessoas no elenco, eu não ficaria surpreendido se um dos personagens fosse gay e eu nem tivesse dado por isso. Seria todo a favor.

T.A: Fizeste um vídeo para a campanha “Love is Louder”, que foi criado em resposta aos suicídios de adolescentes ligado directamente ao bullying contra homossexuais. Após revelares que cresceste a sentir-te sozinho dizes, “Jesus esteve sempre lá. Jesus é amor, e o amor fala mais alto”. Como é que as tuas crenças religiosas afectaram a tua opinião sobre as pessoas homossexuais?

K: Fui criado numa família Cristã, e sou Cristão, mas o único mandamento pelo qual vivo é “Ama o teu vizinho como a ti mesmo”. Não me interessa como a pessoa é ou do que gosta, apenas lhes mostro amor. Se eles são felizes, estejam felizes por eles. Sejam crentes, tenham fé em algo, mas ninguém está certo ou errado, sejam apenas boas pessoas. Se fossemos todos apenas um mundo de amor, as coisas seriam muito mais fáceis.

T.A: Apareceste como o homem doce no vídeo “With Love” da Hilary Duff . Porque disseste não a hipótese de ser completamente o oposto no “I Wanna Go” de Britney?

K: Foi muito atencioso. Adoro a Britney, e teria adorado a oportunidade, mas havia muita coisa que não fazia sentido, como aquela cena do pó de talco? Espero que possa trabalhar com a Britney noutra coisa.

Voltando ao vídeo da Hilary, foi uma daquelas coisas em que fiquei “Isto não sou eu. Não o rapaz bonito para fazer este trabalho”. Tem piada, porque quando penso que não sou a pessoa certa para alguma coisa, acabo sempre por fazê-lo. Ainda me confunde que tenha sido chamado para isso.

T.A: Como é possível que não faças parte do próximo filme de Steven Soderbergh “Magic Mike” sobre stripper masculinos? É possível que queiras ligar ao teu agente.

K: Para dizer a verdade eu liguei mesmo sobre isso. Mas têm o Alex Pettyfer para o papel, e eu não teria sido a escolha certo, e não havia mesmo nenhum papel para mim. Mas tem um grande elenco, e acho que vai ser muito bem recebido. A história de Chaning Tatum é incrível, e é muito corajoso dele ir contá-la.

T.A: Tens mencionado várias vezes os teus companheiros de casa em entrevistas, e uma vez contaste uma anedota ao Jimmy Kimmel, sobre uma escolha infeliz de palavras para  novos companheiros, que acidentalmente atraiu um monte de rapazes gay. Uma casa cheia de gays, seria mesmo assim tão mau?

K: Honestamente preferia ter vivido com rapazes gays. São mais limpos e cuidam das coisas. Porque eu estou sempre fora, e voltar para uma casa limpa é importante para mim. Confia em mim, já tive muitos colegas de quarto, e os hétero são apenas miúdos que não cuidam de si mesmo.